Em protesto contra ameaça de calote, Sintricom atrasa entrada de trabalhadores na UTGCA

Em protesto contra ameaça de calote, Sintricom atrasa entrada de trabalhadores na UTGCA

Para chamar à atenção da Petrobrás, que faz vista grossa a mais uma ameaça de calote, desta vez por parte da JRM, terceirizada que presta serviços na UTGCA (Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba), Sintricom  promoveu hoje um ato com todos os trabalhadores da base para cobrar mudanças na política de licitação e gerenciamento de contratos, que tem nos últimos anos, causado inúmeros prejuízos aos trabalhadores.

O ato contou com o apoio de diretores do Sindipetro-LP (Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista),  do Sindicato dos Condutores e STIC Mob (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Mobiliário e Montagem Industrial de Jacareí) e da CUT Base Avançada Litoral Norte.

Desde quando assumiu o contrato, como empresa parceira da G&E, que saiu deixando dívidas trabalhistas, a situação dos trabalhadores da JRM vem sendo acompanhada de perto pelo presidente em exercício do Sintricom, Marcelo Rodolfo da Costa, que garantiu que o efetivo da antecessora tivesse prioridade nas constratações na nova empresa com todos os benefícios garantidos no acordo coletivo vigente.

Mas, os problemas começaram a surgir logo na parada, quando a JRM, subcontratou alguns serviços prestados por empresas que deixaram trabalhadores em alojamentos sem condições adequadas, sem troca de uniformes higienizados, entre outros problemas, que foram solucionados com a intervenção do Sintricom.

No entanto, nos últimos meses, a situação da empresa se agravou e os atrasos no pagamento dos salários, adiantamento, ajuda de custo, foram constantes. Os prestadores de serviços da JRM também foram afetados e os trabalhadores por mais de uma vez ficaram sem transporte para levá-los à UTGCA, sem convênio médico e por pouco não ficaram sem alimentação, também por falta de pagamento.

Até máquinas e equipamentos essenciais para o exercício das funções foram retiradas de campo, impossibilitando a execução das atividades.

Todos esses problemas motivaram Sindicato e trabalhadores a paralisarem por inúmeras vezes as atividades, como a ocorrida em setembro, que acabou após a empresa honrar o pagamento e dar garantias de que os dias parados seriam abonados, o que não cumprido pela JRM.

Sem cumprimento do acordo, assumido com o Sintricom e com as lideranças, a solução foi uma nova greve, que hoje contou com o apoio dos demais trabalhadores da UTGCA, inclusive petroleiros.

Para o presidente em exercício do Sintricom, Marcelo Rodolfo da Costa, tudo vem errado desde a contratação das empresas, que disputam as licitações que se tornaram uma verdadeira xepa, onde onde quem ganha oferece o menor preço e ao entrar, que a todo custo lucrar as custas do suor dos trabalhadores.

“A Petrobrás está sendo conivente com o que as empresas fazem com os trabalhadores. O problema já começa na licitação, que mais parece a xepa na feira, onde ganha-se o menor preço e depois a empresa quer tirar o lucro em cima do lombo do trabalhador. Trabalhadores pra eles é número, é peça. Nós podemos e estamos brigando para modificar isso”, disse o dirigente do Sintricom.

“A Petrobrás está sendo conivente com o que as empresas fazerm com os trabalhadores. O problema já começa na licitação, que mais parece a xepa na feira, onde ganha-se o menor preço e depois a empresa quer tirar o lucro em cima do lombo do trabalhador. Trabalhadores pra eles é número, é peça. Nós podemos e estamos brigando para modificar isso”, disse o dirigente do Sintricom.

Para o diretor do Sindipetro-LP, Marcelo da Silva, além da precarização das condições de trabalho, toda a população é penalisada pela atual política de desmantelamento da Petrobrás.

“Tanta riqueza que a Petrobrás gera, mas isso não está voltando mais para o povo, que é obrigado a pagar por um combustível caro, com preço atrelado ao dólar, enquanto o trabalhador vê seu salário não dar para comprar nem o necessário no supermercado. E ainda temos que conviver com as constantes ameaças de calote. Estamos juntos nesta luta”, disse Marcelo da Silva, diretor do Sindipetro-LP

RESPOSTAS – Diante da pressão do Sintricom, a gerência da UTGCA, já corre atrás de uma empresa para assumir às atividades de manutenção de rotina prestadas hoje pela JRM, em um contrato tampão. No entanto, Sintricom já alertou que não vai permitir que aconteça com os trabalhadores o mesmo que aconteceu com G&E, que foi embora sem pagar todos os direitos que estão sendo reivindicados na Justiça.

Situação que só não foi pior, pois o Sintricom conseguiu o bloqueio e a liberação de recursos retidos pela Petrobrás, no contrato com a G&E, que foram utilizados para o pagamento de parte dos trabalhadores.

O Sintricom também já encaminhou ao Ministério Público do Trabalho ofício pedindo apoio para a solução dos problemas dos trabalhadores na JRM.


Alessandra Jorge